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Jogos quebrados: quando o acaso torna-se o padrão

O que acontece com os videogames atualmente? Porque tantos títulos saem com sérios problemas e vivemos hoje em uma época de Patches e Fixes? Defeitos podem acontecer em qualquer caso e muitos produtos exigem testes profundos antes de serem lançados. Mas, diferente de itens físicos, os games possuem o benefício da atualização. O problema é que esse processo ainda não é tão simples já que só uma parcela dos consumidores está conectada à internet de banda larga.

Por um lado é possível dizer que hoje há vantagens em relação aos games do passado. Na época do SNES ou até do PS2, um jogo lançado com defeito tinha seu destino selado pois a única solução era trocar os defeituosos por novas cópias. Não é preciso dizer que isso era muito difícil e custava milhões em produção (e imagem de marca) para as empresas.

Mas olhando sob outra ótica, será que a relativa facilidade de atualizar um game está deixando os estúdios mais preguiçosos? Mesmo que muitas pessoas não estejam online, o simples fato de criar um Patch parece estar virando um ato de boa vontade e uma demonstração de eficiência por parte do desenvolvedor. Acho que isso está muito longe da realidade.

A complexidade dos jogos modernos (especialmente os de ambientes 3D amplos ou aqueles que dependem de um extenso modo online) é um fator que atrapalha o teste dos mesmos. São necessárias dezenas, até centenas de pessoas experimentando cada aspecto do game, tentando usar truques, defeitos e bugs para ‘quebrar’ o design e achar uma falha. Isso custa tempo e dinheiro e, pior ainda, não pode ser feito de forma antecipada. Afinal, o jogo precisa estar quase pronto para que os testes finais sejam executados.

Com isso dá para imaginar algumas situação. Exemplo: um grande épico vem sendo feito há anos e a data de lançamento aproxima-se. Mesmo com todo o trabalho da equipe, o projeto está em cima do prazo e os testes precisam ser feitos. Mas até quando? Afinal, para o game sair é necessário preparar muita coisa. Reservar espaço nas lojas, fazer as capas, imprimir manual, organizar a entrega, elaborar plano de marketing e peças publicitárias, etc, etc. São muitos elementos acontecendo juntos e que, pelo tamanho da operação, são mais importantes do que os testes.

Por isso, nesse exemplo, é possível que não haja tempo para testar tudo que há no game. Em alguns casos os defeitos estão ‘escondidos’, ou seja, não atrapalham em nada o curso natural do game - podemos encarar isso como um bug que não prejudica a experiência. Mas nesse mesmo game pode haver uma situação específica, em uma fase determinada e sob condições próprias, que faça o jogo literalmente quebrar. Como adivinhar (ou saber) que isso pode acontecer?

Como dito acima, o processo de teste é complexo e caro, o que justifica um bug menor. Mas são os defeitos que prejudicam e até impedem a experiência do jogador que não entram na minha cabeça. Jogos atuais, como Gears of War 2, Fallout 3, GTA IV no PC e o aplicativo HOME do PS3, são alguns exemplos de sérios problemas no lançamento. 

Se eu escolher GTA IV para abordar, posso dizer que o game teve mais de 1 ano para ser adaptado ao PC. A Rockstar, em tese, trabalhou próxima aos fabricantes de hardware de computador. E justamente o que veio quebrado no game? A parte gráfica! Texturas sumindo, pop-up de itens, crashs constantes no jogo e muito mais coisas assolaram os pobres consumidores. Não há desculpa para isso, não há Patch que resolva a primeira impressão traumática que tivemos.

Outro jogo? Fallout 3 então. Mesmo sendo gigantesco, ele não é ‘quebrado’. O que existe são inúmeras partes do mundo onde há defeitos nos gráficos, buracos na geometria que fazem você ‘cair’ para fora do mapa, bug com alguns personagens, etc. Por mais que digam que o jogo foi testado, como é que coisas tão aparentes passaram batido? Será que o custo para atrasar o lançamento seria tão grande que foi melhor correr o risco de chatear alguns para depois liberar um Patch?

Difícil saber os motivos de cada caso estando de fora e, por isso mesmo, acho que é importante sempre reconhecer a dificuldade extrema que é criar jogos do tamanho dos atuais. São milhares de elementos interagindo de formas aleatórias (além do comportamento inesperado do ser humano) e que certamente vão encontrar um ponto de incompatibilidade.

Mas é muito estranho mesmo o aumento de defeitos em games de peso, especialmente pelo fato de que eles aparecem muito rápido. Se os testes das produtoras são detalhados como elas alegam, precisam contratar novas pessoas para a tarefa. Porque alguns jogos precisam de apenas 1 dia no mercado para que os consumidores encontrem erros absurdos, escandalosos e completamente visíveis. As pessoas estão fazendo mágica e desbravando os games como ninguém…ou a pressa continua sendo a implacável inimiga da perfeição?

5 comentários
pellican | 12 de dezembro de 2008 | 17:30 | Artigo []

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