“Sony, abra as portas do Brasil para os games!”
A SCEA - braço da empresa responsável pelo continente americano - confirmou que seus planos de expandir a marca Playstation na região latina continuam firmes e fortes. Diversos sites divulgaram a notícias, especialmente os brasileiros, dada a importância do PS2 em nosso país e também o recente anúncio do Zeebo, da TecToy.
Em um primeiro momento é possível achar a estratégia da Sony um pouco estranha. Afinal, se o PS3 é seu produto mais moderno e tema de boa parte de sua publicidade (não só em games, mas também em relação ao formato BluRay) porque eles iriam criar um plano de Marketing voltado ao PS2 na América Latina?
Infelizmente os imposos e condições políticas de muitos países da região impedem o fácil acesso de empresas de games. Na verdade, países menores até possuem mais facilidade, mas lhes falta o mais essencial: o mercado consumidor potencial. E isso tem de sobra no Brasil.
Claro que todo mundo conhece ao menos um amigo que possua um PS2, mas muitos também vão à casa desse mesmo amigo para jogar. Não seria legal ter um console tão famoso por um preço acessível, garantia e jogos baratos?
Estou partindo da premissa de que a Sony fará o trabalho certo e esse caminho é montar os PS2 na fábrica de Manaus, já com isenções bem acima de um importador normal de consoles, e ‘bater’ os DVDs de jogos aqui mesmo. Só assim ela poderia competir com o gigantesco e quase oficial mercado pirata.
Mas vamos supor que ela faça tudo isso direito e o PS2 torne-se uma TV da Samsung, um telefone sem fio da Motorola, um produto que encontra-se em cada loja e por preço extremamente competitivo - oras, ninguém melhor do que a Sony para explorar esses benefícios do relacionamento com os varejistas.
Algo assim certamente aceleraria os planos das outras companhias e as faria pensar com mais carinho em relação ao Brasil. A Microsoft lançou o Xbox360 de forma vergonhosa por aqui. Não só ficamos sem os 3 anos de garantia dados nos EUA (essa garantia se aplica ao Brasil, desculpem a falha), mas também não temos suporte algum à rede LIVE. Estar aqui de mentira não vale, tem que dar o suporte necessário à enorme base de pessoas que já aderiram a seu console, Microsoft.
Uma chegada decisiva da Sony pode incentivar a MS a melhorar seu atendimento ao público brasileiro. Entretanto, a galinha dos ovos de ouro é o Wii e a Nintendo, pelo menos em entrevistas, reconhece a importância de um mercado em expansão como o do Brasil. Com um custo já baixo de produção, o Wii é outro console que acharia um bom público por aqui. Mas, de novo, apenas se fizeram o trabalho direito para garantir preços competitivos.
O Brasil passou por momentos bons e ruins no mercado dos games, sendo que o ‘auge’ por assim dizer foi a década de 90, com TecToy do lado da SEGA e a Gradiente com a Nintendo. Hoje isso não existe mais e nem seria necessário. A globalização tornou tudo mais próximo e a melhor chance de uma empresa do ramo é vir diretamente para cá. Tenho certeza de que hoje há muito, mas muito mais jogadores ou pessoas ligadas em games do que nos anos 90.
Crises econômicas como a que vivemos no momento podem até atrasar as coisas. Entretanto, eu ainda acredito que a explosão dos games no Brasil é uma questão de tempo. E cada vez menos tempo. Queremos jogar; queremos (nem todos é claro) pagar um preço justo por games originais; mais do que isso, quem gosta mesmo de games sabe que já está mais do que na hora de acabar com essa imagem de que é ‘brinquedo de criança ou coisa de nerd’. Porque essa brincadeira toda move mais de US$ 20 bilhões por ano.
- 11 comentários
- pellican | 28 de novembro de 2008 | 10:36 | Artigo | Mercado []




